O que é o Vinho da Madeira?

MadeiraO Madeira é um vinho generoso (fortificado) produzido e engarrafado na Madeira – uma ilha Portuguesa ao largo da costa Marroquina – utilizando as castas típicas, envelhecido pelo sistema único que o caracteriza, e recorrendo aos métodos de produções ancestrais que passaram de pai para filho, de geração em geração. Este vinho generoso icónico é virtualmente indestructível.

O Vinho da Madeira é tipicamente um vinho mono-varietal, com cada uma das castas brancas a representar um dos quatro estilos de Madeira. Seco, meio-seco, meio-rico e rico.

Historicamente, os vinhos da Madeira agrupam.se em 2 familias: os vinhos de indicação de idade, também conhecidos por vinhos de lote, e os vinhos produzidos de uma só casta e ano de colheita, que podem ser Colheita ou Frasqueira.

Um Vinho Aquecido

O aquecimento do vinho durante o processo de envelhecimento é exclusivo do vinho Madeira. As suas origens remontam à época das descobertas, nos séculos XV e XVI, quando a ilha acolhia navios mercantes que aqui se abasteciam de bens essenciais (víveres e água), refrescos e balastro na forma de vinho em barril, que eram transportados para bordo. Conta a lenda que numa viagem de ida e volta para a Índia, os barris de vinho regressaram à posse do produtor, que descobriu que o vinho tinha melhorado muito, o que foi atribuído ao aquecimento do vinho, quando exposto ás elevadas temperaturas tropicais ao atravessar a linha do equador 4 vezes. Assim surgiu a práctica de enviar vinhos numa viagem de circum-navegação, e que viria a resultar nos “vinhos da roda”.

Durante os séculos que se seguiram, os exportadores continuaram a enviar os seus vinhos em viagens à volta do globo com o intuito de os melhorar. Hoje, esse envelhecimento é replicado através dos métodos de Estufagem e Canteiro nos armazéns de vinho na ilha.

Com o tempo, a práctica de enviar os barris numa viagem de circum-navegação tornou-se dispendiosa, e na sequência do aparecimento dos barcos a vapor, a viagem tornou-se muito mais rápida, e os produtores começaram a envelhecer os vinhos no sistema de canteiro. Á medidos que as vendas e o mercado cresceram, os produtores viram-se confrontados com a necessidade de corresponder a procura, e assim nasceu a “estufagem”.

Um Vinho Generoso

checkO vinho da Madeira nem sempre foi generoso. A “Fortificação” do vinho com brandy foi introduzida em meados do séc. XVIII e continua a ser feita nos nossos dias, com recurso a álcool neutro de origem vínica a 96%. Hoje, todos os vinhos da Madeira têm entre 17,5% e 21% de teor alcoólico.

Como se produz o vinho da Madeira?

À chegada à adega, as uvas são analisadas, e procede-se á selecção, pesagem e classificação, depois à remoção dos engaços e em seguida à prensagem, mediante a qual se transforma o fruto em sumo de uva não fermentado (mosto). O engaço é tratado como desperdício, mas as sementes e películas são reaproveitadas e, uma vez recolhidas, entregues aos agricultores, e usadas como ração para o gado.

Posteriormente, o departamento de enologia toma a opção de efectuar ou não maceração. São utilizados diferentes processos de vinificação, sendo determinantes a casta e estilo do vinho pretendido.

Os vinhos produzidos com a casta Tinta Negra de estilos seco e meio-seco são produzidos sem maceração, enquanto os doces e meio-doces são produzidos com maceração e auto-vinificação (curtimenta).

Os vinhos de castas brancas são produzidos com recurso a maceração de forma a extrair o máximo de extracto seco.

Uma vez iniciada a fermentação do "mosto", dá-se a transformação dos açúcares naturais do sumo de uva em álcool, sendo feito um controlo regular da temperatura e grau alcoólico. Atingido o grau de doçura desejado, efectua-se a fortificação, adicionando álcool vínico ao mosto em fermentação, parando nesse momento a fermentação. Os açúcares residuais não fermentados irão definir o estilo do vinho (quanto mais elevados, mais doce será o vinho).

Os vinhos dos estilos mais ricos são fortificados após aproximadamente 24 horas, enquanto os vinhos de estilo mais secos fermentam até 7 dias.
Hoje em dia, todos os vinhos são envelhecidos por um dos dois processos: "estufagem" ou "canteiro".

A Estufagem

O processo de "estufagem" foi introduzido Pantelião Fernandes, um médico local, em 1794, como consequência do aumento da procura pelo mercado. Desde então continuou a ser usado na produção dos vinhos de 3 anos.

Hoje, em geral, uma vez fortificados, os vinhos da Blandy’s Madeira são trasfegados para depósitos designados por “estufas”, sendo aquecidos até temperaturas de 45°C durante um período de 4 meses, após os quais é trasfegado para balseiros de madeira, onde estagia por 2 anos. Este processo é essencialmente usado na elaboração de vinhos produzidos a partir de uvas da casta Tinta Negra.

Envelhecimento em Canteiro

ageing in casksA palavra "canteiro" deriva das tradicionais cantarias sobre as quais os cascos de carvalho americano são colocados. Este processo único consiste no envelhecimento dos vinhos em antigos cascos por um período mínimo de 4 anos. Os barris são armazenados em armazéns onde o calor natural do sol aquece delicadamente o vinho.

Os vinhos produzidos através do método de “canteiro” estagiam em cascos de acordo com a casta e o seu ano de produção. Os cascos são gentilmente aquecidos pela temperatura ambiente produzida pelo sol subtropical que favorece a ilha da Madeira, e os vinhos ganham um carácter único resultante de um fenómeno a que se deu o nome de “parte dos anjos”, que traduz a parte do vinho que evapora ao longo do envelhecimento, dando origem a vinhos extraordinariamente concentrados. Os cascos nunca estão 100% cheios, o que permite que o vinho esteja em contacto com o ar, resultando numa gradual e lenta oxidação, que transforma os aromas primários de fruta em notas de frutos secos, especiarias, frutos cristalizados, entre tantos outros que compõem o característico “bouquet” do vinho Madeira.

Após alguns anos nos sótãos onde a temperatura é mais quente, os vinhos são movidos para pisos mais baixos onde a temperatura é mais fresca. Com o passar dos anos, os vinhos são colocados no piso térreo, onde terminam o seu envelhecimento. Este processo ancestral, e totalmente natural, aplicado no envelhecimento dos nossos melhores vinhos, dá-se o nome de “canteiro”.

Da vinha ao Vinho

harvest timeA partir de Março, a equipa de viticultura da empresa efectua controlos regulares das vinhas, aconselhando e apoiando os produtores com o intuito de garantir a melhor qualidade da produção. A vindima inicia-se oficialmente na primeira quinzena de Setembro, embora seja habitual haver já algumas propriedades em que as uvas atingem o ponto ideal de maturação em finais de Agosto. Normalmente, o fim da vindima dá-se em meados de Outubro, quando as últimas uvas são entregues nas adegas. Durante a vindima, cada região tem um agente regional, que acompanha os produtores, verifica os níveis de maturação, e coordena a apanha e o envio das uvas para a adega. Devido ao relevo e orografia da ilha, a vindima é muito dura, trabalhosa e longa, uma vez que todas as uvas são colhidas à mão. No entanto, a vindima é também um momento de celebração e um evento social em que famílias e amigos se reúnem e unem o esforço da vindima ao prazer da gastronomia, em celebrações que ocorrem em toda a ilha.

As uvas são colhidas no momento maturação exacto, sendo então transportadas para adega, onde são cuidadosamente seleccionadas e, em seguida, vinificadas. Desde o dia em que são fortificados até ao dia em que são engarrafados, quando atingem o perfeito estado de maturidade, os vinhos estão sob a constante supervisão do Enólogo da Blandy’s e da sua equipa de tanoeiros.

Presentemente, a companhia trabalha com mais de 600 viticultores, dos quais 20% representam mais de 80% do volume.